Os clichês são dos mais variados; “A oração é poderosa”. “A oração é fundamental”. “A oração é primordial”. Apesar da verdade aplicada a estas declarações, tenho receio de que muitos (especialmente os líderes da igreja) não consigam entender o verdadeiro significado por trás dessas palavras.

Não há dúvida de que Jesus é o maior líder de todos os tempos. Enquanto esteve na terra, orou com seriedade, com propósito e convicção. Como líderes de Deus, devemos orar com propósito, convicção e fervor como nunca. Temos que interceder por todos aqueles que lideramos, precisamos orar sinceramente pela direção de Deus. Devemos submeter nossa carne ao agir do Espírito Santo para que não caíamos na tentação. Jesus orou fervorosamente para que pudéssemos seguir a liderança d’Ele, e tê-la como modelo. Um dos exemplos mais notáveis disso, é, o relato de Jesus orando no jardim do Getsemâni. Jesus, como líder, teve a responsabilidade de cumprir o Seu propósito. Ele orou fervorosamente para superar os sentimentos, com os quais, o cálice o tinha sobrecarregado (Marcos 14:33-42; Lucas 22:40-46).

“Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima”

Mateus 26:36-46

Essa instância, por si só, é suficiente para mudar nossa vida de oração de forma significativa e para sempre. Para este elemento fundamental da oração, existem vários aspectos a serem destacados, dentre eles, a oração fervorosa, a oração vigilante, e oração corporativa como demonstrado por Jesus no jardim pouco antes de sua crucificação. Além disso, a sustentabilidade através da oração, orando a Palavra, assim como a oração no Espírito, são, pois, outros componentes vitais de uma forte vida de oração.

ORAÇÃO FERVOROSA

Como líderes, é imprescindível que elevemos o nível de nossas orações. Não podemos esperar que Deus faça grandes coisas se a nossa vida de oração não possui profundidade. A oração fervorosa é a marca de todo ministério que transforma vidas.

E. M. Bounds, disse que “Falar aos homens sobre Deus é algo grande, porém, falar a Deus sobre os homens é algo maior ainda”.

A oração sempre precedeu os grandes ministérios: nenhuma oração, nenhum ministério, pouca oração, pouco ministério. Em outras palavras, o impacto do nosso ministério é diretamente proporcional a nossa vida de oração. É um relacionamento um a um. Sem oração fervorosa e diligente, é impossível sermos bons mordomos das pessoas e das coisas que Deus colocou a nossa frente. A oração fervorosa é alcançada através de uma vida de disciplina dedicada. Um líder não pode criar desculpas para abster-se dessa responsabilidade. A oração dedicada e disciplinada é sua rotina.

Por certo, quando alguém diz que uma determinada ação é um hábito ou parte de uma rotina, pensamos de imediato, que esta ação é débil, e incapaz de gerar algum resultado que possa influenciar efetivamente as nossas vidas, ao passo que, as consideramos meramente superficiais e automáticas. No entanto, isso simplesmente não é verdade. Só porque uma ação é levada ao nível de hábito ou costume, não significa que seja insincera e que perdeu sua autenticidade. Existem bons hábitos e costumes. Veja o caso de Jesus em Lucas:

“Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler”

Lucas 4:16

Todos, podemos concordar que, ir à igreja com fidelidade é um bom hábito.

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”

Hebreus 10:25

Também, entendemos de forma mútua, que, Jesus foi a pessoa mais genuína, que já andou pela terra. Portanto, se Jesus possuía costumes genuínos e sinceros de oração e fidelidade à casa de Deus, então, também podemos. Além disso, com o nascimento da igreja no livro de Atos, vem as palavras poderosas; “E perseveraram…” (Atos 2:42).

Os discípulos perseveraram firmemente. Inabaláveis. Inamovíveis na doutrina, na comunhão e sobretudo, nas orações. É possível adquirirmos hábitos espiritualmente saudáveis! Em vez de preencher o nosso tempo com atividades insensatas, nós, podemos investir nosso tempo sabiamente, nos engajando em coisas que verdadeiramente são importantes. O resultado será uma vida espiritualmente enriquecida e cultivada para o exercício de uma liderança sólida e operante na igreja.

ORAÇÃO VIGILANTE

Para o segundo ponto, observe, que quando Jesus trouxe Pedro, Tiago e João com Ele, lhes disse que não se juntassem apenas à oração, mas que também “vigiassem” com Ele. O relato de Marcos, sobre esse evento extraordinário e sobrenatural, revela um profundo significado da oração. A palavra “vigiar” nesta escritura vem da palavra grega “gregoreuo”, que significa assistir, dar estrita atenção, ser cauteloso e ativo. Se não estivermos atentos e vigilantes na oração, o inimigo nos levará da presença, e, do propósito de Deus. Alguns podem notar que Jesus foi realmente aquele que foi tirado dos discípulos. Essa perspectiva é absolutamente correta, todavia, vamos pensar sobre isso em um nível mais profundo.

Geralmente, concordamos que a crucificação de Jesus era parte do propósito de Deus.

“E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”

Apocalipse 13:8

Mas quando o inimigo entrou no jardim, os discípulos se dispersaram. Eles permitiram que o inimigo promovesse confusão em seus corações, e, em função disso, abandonaram o propósito. Eles saíram da presença de Deus. Isto ocorreu devido à falta de oração e vigilância, ao passo que, o inimigo pode entrar! Não vamos ignorar as artimanhas de satanás. Ore e procure com fervor a face de Deus para que você não venha a cair na armadilha e na tentação. As pessoas estão contando com sua caminhada em Deus. Sim, elas devem ter seus olhos em Jesus, todavia, como líderes na igreja, precisamos exemplificá-lo a partir de nossa própria vida de oração.

 “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”

1 Coríntios 11:1

Por vezes, não iremos sentir-nos tão qualificados como o Apóstolo Paulo, para fazermos essa afirmação. Ainda assim, o fato, de que, não somos perfeitos, deve nos motivar a aprofundarmos em nossa vida de oração. Se perseguirmos a perfeição de Jesus, com todo o nosso coração, podemos conquistar a excelência através do Espírito Santo.